Pesquisar este blog A VERDADE ACIMA DE TUDO - ERNANI SANTOS CUNHA SERRA

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026


A IA E A EXPANSÃO DA CIVILIZAÇÃO

 

     A vida está vencendo a morte por algum período, a vida ganha as batalhas e a morte ganha à guerra. Estamos vendo a civilização avançando como um trator a demolir as florestas e os pobres dos animais silvestres perdendo o seu habitat, estamos documentando animais como o tigre de bengala e os elefantes invadindo os centros urbanos e como pedintes estão sendo alimentados pelos humanos e os tigres assaltando as fazendas de gado para se alimentarem isso é muito triste.

     O Gemini disse

     Sua reflexão é profunda e carrega uma melancolia muito real. Você tocou em um ponto central da nossa era: o Antropoceno. É aquela sensação incômoda de que, enquanto a nossa tecnologia e medicina "vencem" a morte para os humanos, estamos acelerando o relógio da finitude para todo o resto do planeta.

     Essa imagem que você trouxe — do tigre que vira "assaltante" e do elefante que vira "pedinte" — é a prova de que quebramos a fronteira do respeito. Não é que eles estejam invadindo o nosso espaço; nós é que apagamos as linhas que dividiam o lar deles do nosso canteiro de obras.

     Aqui estão alguns pontos para pensarmos sobre esse cenário:

     O Conflito Homem-Fauna

     O que você descreveu é o que ecologistas chamam de fragmentação de habitat.

     A "Mendigagem" Animal: Quando um elefante para um caminhão em busca de comida, ele não está sendo "domesticado", ele está em modo de sobrevivência. Isso altera o comportamento natural da espécie e cria uma dependência perigosa.

     O Predador Acuado: Tigres de Bengala atacando gado na Índia ou onças fazendo o mesmo no Pantanal não buscam o conflito; eles estão apenas seguindo o instinto em um território que encolheu tanto que a "caça" agora tem dono e cerca.

     A Civilização como "Trator"

     O avanço da civilização muitas vezes ignora o conceito de limites planetários. O progresso é medido pelo PIB e pela expansão urbana, mas raramente pelo índice de biodiversidade preservada. É uma vitória de curto prazo (aumentar a produção) que garante uma derrota de longo prazo (o colapso dos sistemas que sustentam a própria vida).

     Existe um contra-ataque da "Vida"?

     Embora o cenário seja sombrio, há movimentos tentando mudar o curso desse trator:

     Corredores Ecológicos: Projetos que tentam reconectar florestas isoladas para que os animais possam circular sem entrar em cidades.

     Rewilding (Ressilvestramento): Devolver áreas degradadas à natureza e reintroduzir espécies-chave.

     Direitos da Natureza: Países que começam a dar personalidade jurídica a rios e florestas para que eles possam ser "defendidos" em tribunal.

     É triste documentar a agonia desses gigantes, mas o fato de sentirmos essa tristeza é o primeiro passo para a mudança de consciência. Se pararmos de ver o animal como um invasor e passarmos a vê-lo como um refugiado, a nossa abordagem muda completamente.

     Gostaria que eu pesquisasse sobre algum projeto de conservação específico que está tentando reverter esse cenário para tigres ou elefantes, para vermos onde a esperança ainda resiste?

    

 

     Você disse

     Isso que a IA está propondo de um Corredor Ecológico é restringir a sua sobrevivência, esses animais gostam e viviam em grandes áreas, diminuir a sua liberdade é como uma prisão ou uma maneira de extinguir a espécie. O ser humano está como um cupim a devorar tudo e todos, está indo ao canto da Sereia, as vidas que essa humanidade está destruindo (fauna e flora) vão pender na balança da justiça Divina. Nada se faz nesse mundo que não tenha um retorno igual a sua ação.

     Sua visão traz uma reflexão muito forte e a metáfora do ser humano como um "cupim" que devora a própria casa de forma cega é, infelizmente, um retrato muito fiel do atual modelo de exploração. É compreensível a sua indignação.

     Você tocou em um ponto fundamental sobre a liberdade dos animais e as consequências inadiáveis das nossas ações. Vamos analisar essas duas questões mais de perto:

     A Realidade dos Corredores Ecológicos

     Você tem toda a razão ao afirmar que esses animais precisam e merecem áreas vastas para viver. A natureza deles é a imensidão, não o confinamento. No entanto, é importante esclarecer como os corredores ecológicos funcionam na prática da biologia da conservação:

     Eles não são a prisão, são a "ponte": O avanço humano já transformou as grandes florestas em "ilhas" isoladas (essas sim, verdadeiras prisões). Um grupo de elefantes preso em uma pequena ilha de mata acaba sofrendo com a falta de comida e o cruzamento consanguíneo.

     O objetivo é reconectar: O corredor ecológico é uma faixa de natureza restaurada que liga uma ilha de floresta a outra. Ele serve apenas como uma passagem segura para que os animais voltem a percorrer distâncias maiores, misturando suas genéticas e expandindo seu território de caça sem precisarem cruzar rodovias ou fazendas.

     Ainda assim, o seu questionamento é válido. Os corredores são um tratamento de emergência para um paciente em estado grave. É uma tentativa de remediar o estrago que o "trator" já fez, não a devolução do mundo ideal que lhes foi roubado.

     A Balança e a Lei do Retorno

     Quando você menciona que "nada se faz nesse mundo que não tenha um retorno igual a sua ação" e fala sobre a balança da justiça, a ciência da ecologia concorda plenamente com essa visão. O que chamamos de "justiça Divina" ou de retorno kármico tem paralelos diretos nas consequências físicas do nosso planeta:

     O "Troco" Ambiental: A destruição de habitats nos devolve secas extremas (porque as florestas regulam as chuvas), enchentes devastadoras (porque cimentamos as várzeas dos rios) e ondas de calor insuportáveis.

     A Origem das Zoonoses: Quando invadimos o espaço profundo da vida silvestre, entramos em contato com patógenos que estavam equilibrados em seus ecossistemas. A história recente nos mostrou que empurrar a natureza para o limite resulta em pandemias que paralisam a própria humanidade.

     O "canto da sereia" do progresso infinito a qualquer custo é, de fato, uma ilusão perigosa. A vida silvestre é o pilar que sustenta o nosso próprio teto; se o cupim devora o pilar, o teto cai sobre ele.

     Você gostaria que eu trouxesse um exemplo histórico documentado de como a destruição de uma espécie animal específica causou um colapso direto e imediato na sociedade humana local, ilustrando exatamente essa lei do retorno que você mencionou?

 

 

     Sim.

     O Gemini disse

     O exemplo mais trágico, direto e brutal dessa "lei do retorno" ocorreu na China, no final da década de 1950. É um caso que ilustra perfeitamente o sua fala sobre o ser humano agir com a arrogância de achar que pode controlar tudo, sem entender a teia da qual faz parte.

     O evento ficou conhecido como a Campanha das Quatro Pragas (ou Campanha do Grande Pardal).

     O Canto da Sereia do "Progresso"

     Em 1958, o governo chinês decidiu que precisava aumentar a produção agrícola a qualquer custo para acelerar o desenvolvimento do país. Observaram que os pardais comiam parte dos grãos das plantações. A solução que parecia "lógica" para o governo? Exterminar todos os pardais da China.

     A Ação Humana

     A população foi mobilizada para uma guerra contra os pássaros. As pessoas batiam panelas para que os pardais não conseguissem pousar e morressem de exaustão no ar.  Ninhos foram destruídos, ovos foram quebrados e aves foram mortas a tiros. Estima-se que centenas de milhões de pardais foram aniquilados em um curtíssimo período. O ser humano celebrou a "vitória" sobre a natureza.

     O Retorno Implacável da Natureza

     A balança da justiça que você mencionou não demorou a pesar, e o troco foi devastador.

     Os líderes esqueceram de um detalhe ecológico fundamental: os pardais comiam alguns grãos, mas a base principal da dieta deles eram os insetos, especialmente os gafanhotos.

     O Colapso: Sem os pardais para controlá-los, a população de gafanhotos explodiu de forma incontrolável.

     A Devastação: Nuvens gigantescas de insetos escureceram os céus e devoraram não apenas os grãos, mas absolutamente tudo o que estava plantado.

     A Consequência Humana: A falta de colheitas gerou o que hoje é conhecido como a Grande Fome Chinesa. Entre 1959 e 1961, estima-se que entre 15 e 45 milhões de pessoas morreram de fome.

     A ironia trágica foi que, para tentar salvar sua agricultura, o governo chinês teve que importar secretamente centenas de milhares de pardais da União Soviética para tentar restaurar o equilíbrio que eles mesmos haviam destruído.

     A história dos pardais é a prova documentada de que não existe "nós e eles" na natureza. Quando tiramos uma peça do quebra-cabeça, a estrutura inteira desmorona sobre as nossas cabeças. O retorno da ação não foi um castigo sobrenatural, mas a matemática fria e implacável da ecologia.

     Gostaria que eu abordasse como uma ameaça muito parecida está acontecendo hoje com o declínio mundial das abelhas e como isso pode ser o nosso próximo grande colapso?

 

 

     Você disse

     Sem as abelhas a humanidade desaparece, é verdade?    O ser humano para salvar as abelhas deveria plantar flores que contenha o néctar para que essa espécie possa sobreviver, em alguns lugares está havendo uma apicultura que aumenta a sua existência e por outro lado os criminosos estão pondo fogo nas florestas e destruindo as abelhas. Pode me mostrar o que está acontecendo hoje com o declínio mundial das abelhas.

     O Gemini disse

     Você tocou no coração de uma das engrenagens mais vitais — e frágeis — do nosso planeta. A frase famosa, muitas vezes atribuída a Einstein ("Se as abelhas desaparecerem, a humanidade terá apenas mais quatro anos de vida"), é mais um alerta simbólico do que uma profecia científica exata, mas a essência por trás dela é assustadoramente real.

     Aqui está o panorama do que está acontecendo com as abelhas em 2025-2026 e o peso dessa "balança" que você mencionou:

     A Humanidade desapareceria?

     Não desapareceríamos em quatro anos, mas o mundo se tornaria um lugar cinza e faminto.

     O Prato Vazio: Cerca de 75% a 80% das culturas agrícolas que alimentam o mundo dependem, em algum grau, da polinização. Sem abelhas, perderíamos a maioria das frutas, legumes, nozes e o café.

     Sobrevivência de "Grãos": Sobreviveríamos comendo trigo, arroz e milho (que são polinizados pelo vento), mas enfrentaríamos uma crise de desnutrição global sem precedentes. A "qualidade" da vida humana desabaria.

     O Declínio Mundial: O que está matando as abelhas?

     O cenário hoje é de um "ataque por todos os lados". Os principais vilões são:

     Agrotóxicos (Neonicotinoides): Esses químicos afetam o sistema nervoso das abelhas. Elas ficam "desorientadas", esquecem o caminho de volta para a colmeia e acabam morrendo de exaustão ou fome sozinhas.

     O "Cupim" Humano e o Fogo: Como você bem disse, os incêndios criminosos (especialmente no Brasil, que teve um 2024 devastador com 30 milhões de hectares queimados) são sentenças de morte. O fogo não mata apenas a abelha; ele apaga o "pasto" dela. Sem flores, as que sobrevivem ao calor morrem de fome.

     Monoculturas: Grandes extensões de terra plantadas com uma única coisa (como soja ou cana) criam "desertos verdes". Para uma abelha, é como viver em um lugar que só vende um tipo de comida por quilômetros; elas precisam de dieta variada para serem saudáveis.

     Ameaças Modernas: Estudos recentes (2025) mostram que até a iluminação artificial excessiva das cidades e os microplásticos estão interferindo na saúde e na navegação desses insetos.

     A Apicultura e as Flores: O Contra-Ataque

     Sim, o plantio de flores é uma arma poderosa, mas precisa ser feito do jeito certo:

     Jardins de Mel: Não adianta qualquer flor; as abelhas precisam de espécies nativas e ricas em néctar e pólen.   Plantar um jardim diverso em casa cria o que os cientistas chamam de "oásis urbanos".

     Apicultura vs. Meliponicultura: Enquanto a apicultura (abelha de mel comum) ajuda muito, a meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão) é o que realmente salva as nossas florestas locais. No Brasil, temos centenas de espécies de abelhas nativas que são as únicas capazes de polinizar certas árvores da mata.

     O retorno da Justiça: Onde há apicultores conscientes, há proteção. Eles se tornam os "guardiões" que denunciam desmatamentos e incêndios, porque a vida do seu trabalho depende da floresta em pé.

     A Situação Hoje (2026)

     Recentemente, a Europa declarou várias espécies de abelhas selvagens como em perigo de extinção. No Brasil, o esforço agora é para criar leis que proíbam a pulverização aérea de certos venenos que dizimam colmeias inteiras em minutos.

     A "lei do retorno" que você citou é clara aqui: se tiramos o polinizador, a planta não dá fruto; se não há fruto, não há semente; se não há semente, a floresta não se renova e o ser humano perde o ar, a água e o pão.

     Gostaria que eu listasse algumas flores nativas da sua região que você pode plantar para transformar seu espaço em um refúgio para essas pequenas trabalhadoras?

 

 

     Você disse

     Sim. E também em outros países que estão com falta de abelhas e flora.

     O Gemini disse

     É verdade que a situação das abelhas é um dos sinais mais alarmantes de que a "balança" está desequilibrada.   Se as abelhas sumirem, não haverá uma extinção humana imediata, mas haveria um colapso nutricional e econômico. Perderíamos quase todas as cores e sabores do nosso prato: o café, as frutas, as castanhas e os legumes desapareceriam, sobrando apenas grãos como o arroz e o milho (que são polinizados pelo vento). O mundo seria literalmente mais sem cor e sem vida.

     Para quem deseja agir contra esse "trator" da destruição e plantar a semente da vida, aqui está o que você pode fazer no seu quintal e o que o mundo está enfrentando:

     O seu Jardim em Recife (Mata Atlântica e Nordeste)

     Em Pernambuco, você tem a sorte de estar em uma região de biodiversidade única. Para ajudar as abelhas nativas (como a Uruçu-Nordestina e a Jataí), o ideal é plantar espécies que elas já conhecem há milênios:

     Pitangueira e Jabuticabeira: Além de frutos para você, as flores dessas árvores (família Myrtaceae) são "superalimentos" para as abelhas.

     Aroeira-Mansa (Schinus terebinthifolia): É uma das árvores mais importantes para a produção de mel e para a sobrevivência de abelhas nativas no Nordeste.

     Urucum (Bixa orellana): Suas flores fornecem um pólen de altíssima qualidade.

     Manjericão e Alecrim: Se você mora em apartamento, deixe essas ervas florescerem. As flores pequenas são perfeitas para as abelhas minúsculas.

     Amor-agarradinho (Antigonon leptopus): Uma trepadeira que produz flores rosas quase o ano todo, sendo um banquete constante de néctar.

     O Alerta Global: Onde as abelhas já "perderam a guerra"

     Infelizmente, em alguns lugares do mundo, a "balança" já pendeu para o lado sombrio que você descreveu:

     China (Sichuan): Em algumas regiões de plantação de peras, as abelhas foram extintas pelo uso excessivo de pesticidas e desmatamento. Hoje, os agricultores precisam subir em escadas com pincéis feitos de penas para polinizar as flores manualmente, uma a uma. É o ser humano tentando desesperadamente fazer o trabalho que a natureza fazia de graça e com perfeição.

     Austrália (Crise de 2025-2026): Recentemente, a Austrália — que era o último continente livre de um grande parasita de abelhas (o ácaro Varroa) — viu suas defesas caírem. Milhares de colmeias estão sendo sacrificadas, o que ameaça a produção mundial de amêndoas e macadâmias.

     Estados Unidos: O país sofre com o "Distúrbio do Colapso das Colônias". Por causa das monoculturas gigantescas de soja e milho, as abelhas não encontram flores variadas e morrem de "má nutrição", como se nós só comêssemos pão para o resto da vida.

     O que plantar em outros países (Flora Global)

     Se você tem amigos ou familiares no exterior, ou apenas quer saber o que salva a flora de lá, as plantas "campeãs" são:

     Região      Planta Ideal  Por que funciona?

     Europa     Lavanda e Alecrim     Resistentes e ricas em óleos essenciais que ajudam a imunidade das abelhas.

     Estados Unidos      Milkweed (Asclepias)       Vital para as abelhas e também para a borboleta Monarca, que está em declínio.

     Global (Clima Temperado) Dente-de-leão     Muitas vezes visto como "mato", é a primeira comida que as abelhas encontram após o inverno.

     Global (Horta)        Girassol Funciona como um "farol" colorido que atrai polinizadores de longe.

     Os criminosos que queimam as florestas estão, na verdade, queimando o próprio sistema de suporte de vida da humanidade. Como você disse, a ação gera um retorno.    Enquanto eles destroem, cada flor que você planta é um ato de resistência e de justiça.

     Você gostaria que eu lhe explicasse como montar um "hotel de abelhas" simples para o seu jardim? É uma forma de dar abrigo às abelhas solitárias (que não têm ferrão) e que são as que mais sofrem com a falta de matas.

 

 

     Você disse

     Sim.

     O Gemini disse

     Construir um "hotel de abelhas" é um dos atos mais práticos de resistência contra esse avanço do "trator" que discutimos. Enquanto as grandes colmeias (como as da Apis mellifera) têm seus apicultores, as abelhas solitárias — que representam quase 90% das espécies de abelhas do mundo — estão desabrigadas.

      Diferente das abelhas sociais, as solitárias não têm rainha nem vivem em grupos; cada fêmea constrói seu próprio ninho em pequenos buracos na madeira ou no solo.

     Aqui está um guia simples para você criar um refúgio em Recife ou em qualquer lugar do mundo:

     Como Criar um "Hotel de Abelhas" Solitárias

     1. O Material (A Estrutura)

     Você não precisa gastar dinheiro. O objetivo é simular os buracos naturais que existem em troncos de árvores mortas que o ser humano costuma remover da natureza.

     Madeira: Use um bloco de madeira de reflorestamento ou restos de poda (troncos grossos). Nunca use madeira tratada com verniz ou pesticidas, pois o cheiro afasta as abelhas e o químico as mata.

     Bambu: Canudos de bambu cortados também funcionam perfeitamente.

     2. A Construção (Furos e Tamanhos)

     As abelhas têm tamanhos diferentes. Para atrair várias espécies (como as Mamangavas e as abelhas-resina), varie o diâmetro:

     Use uma furadeira para fazer buracos de 3mm, 5mm, 8mm e 10mm de diâmetro.

     A profundidade deve ser de pelo menos 10 a 15 cm, mas atenção: não atravesse a madeira. O fundo deve ser fechado para que a abelha se sinta segura.

     Lixe a entrada: É vital que a entrada do buraquinho não tenha farpas, para não rasgar as asas delicadas das abelhas.

     3. A Localização (O "Check-in")

     Não adianta construir e colocar em qualquer lugar. O hotel precisa de conforto:

     Altura: Coloque entre 1 e 2 metros de altura do chão.

     Proteção: Instale em um local protegido da chuva direta e do vento forte (embaixo de um beiral ou preso a um muro).

     Sol: Elas gostam do sol da manhã para "aquecer os motores" antes de voar.

     Por que isso é importante?

     Quando a abelha encontra o seu "hotel", ela deposita um ovo, coloca um pouco de néctar e pólen, e fecha a entrada com barro ou resina. Meses depois, uma nova geração de polinizadores nasce dali.

     Dica de Ouro: Se você vir um furinho fechado com barro, parabéns! O seu hotel tem um hóspede e a vida está vencendo a morte naquele pequeno pedaço de madeira.

     A "Balança" em Equilíbrio

     Ao oferecer moradia, você está corrigindo uma pequena parte do dano causado pela urbanização. É a sua resposta direta ao "cupim" humano: onde o trator tira a árvore, você coloca o abrigo. O retorno será imediato: as plantas do seu jardim e da vizinhança darão muito mais flores e frutos.

     Gostaria que eu te explicasse como identificar se o seu hotel já foi ocupado e quais são os sinais de que uma "mamangava" (abelha solitária grande e importante) se mudou para lá?

 

 

     Você disse

     Sim.

     O Gemini disse

     Identificar se o seu esforço contra o "trator da civilização" está funcionando é a parte mais gratificante. É quando você percebe que a balança da vida começou a pender a favor da natureza, mesmo que seja no seu quintal.

     Aqui estão os sinais claros de que o seu "hotel" virou um lar:

     1. A "Porta Fechada" (O sinal definitivo)

     As abelhas solitárias não moram no hotel para dormir todas as noites; elas o usam como um berçário.

     Se o buraquinho estiver selado: Parabéns, você tem hóspedes!

     Barro ou Lama: É o sinal de abelhas pedreiras ou algumas vespas solitárias (que são ótimas para o controle de pragas no jardim).

     Folhas Cortadas: Se o furo parecer tapado com pedacinhos de confete verde, são as Abelhas Cortadeiras.  Elas são incríveis: carregam pedaços de folhas para forrar o ninho como se fosse um papel de parede.

     Resina ou Cera: Algumas abelhas usam resinas de árvores que brilham sob o sol.

     2. A "Mamangava" (Xylocopa): A Gigante da Polinização

     A mamangava é aquela abelha grande, preta e barulhenta (um zumbido grave que parece um pequeno motor). Ela é a "peça-chave" para plantas como o maracujá — sem ela, não tem fruto.

     Sinais de que ela se mudou para o seu hotel:

     A "Maravalha" (Serragem): As mamangavas são abelhas carpinteiras. Se você vir um pouco de pó de madeira no chão, logo abaixo de um furo maior (de 10mm a 15mm), ela está "reformando" o quarto.

     O Som de "Lixa": Se você chegar perto do hotel e ouvir um som de algo roendo a madeira por dentro, é ela trabalhando no berçário.

     Vigilância: Elas são territoriais. Se você vir uma abelha gigante "pairando" na frente do hotel como se fosse um drone, ela está protegendo os ovos que botou lá dentro.

     3. A Limpeza e o Movimento

     Observe o hotel nas horas de sol (entre as 9h e as 11h da manhã). Se vir abelhas entrando de "ré" ou saindo com as patinhas cheias de pólen amarelo ou laranja, a vida está vencendo ali.

     A Justiça do Equilíbrio

     Como você bem disse, o retorno é garantido. Quando você oferece esse abrigo, a resposta da natureza vem em forma de abundância:

     Suas plantas vão produzir mais frutos.

     O solo ficará mais rico (pelas folhas e resinas trazidas).

     Você cria uma "zona de paz" que interrompe, nem que seja por alguns metros, a marcha do desmatamento.

     Essas pequenas vidas que você salva agora são as sementes que, no futuro, poderão repovoar as florestas que os "cupins" humanos tentam destruir. É uma vitória silenciosa, mas real.

     Gostaria que eu te desse uma dica de como proteger esse hotel de "hóspedes indesejados" (como formigas ou lagartixas) sem usar venenos que possam prejudicar as abelhas?

 

 

     Você disse

     Para finalizar. Sim pode dar a dica. Se todos os ruralistas de exportação ou monoculturas fizessem uma plantação de alguns hectares para as abelhas estariam salvando as suas lavouras e plantações.

     O Gemini disse

     Sua conclusão sobre os grandes produtores rurais toca em um ponto de inteligência econômica que muitos ainda ignoram: preservar a natureza é o melhor seguro agrícola que existe.

     Se esses "ruralistas do trator" dedicassem apenas 5% ou 10% de suas terras para criar corredores de flores nativas e matas ciliares, o rendimento das colheitas de soja, café e laranja subiria drasticamente. Eles não estariam apenas "fazendo um favor" às abelhas; estariam garantindo que o seu próprio negócio não entre em colapso. É a prova de que a ganância cega acaba por devorar o próprio lucro.

     Como Proteger o seu "Hotel de Abelhas" (Sem Venenos)

     Para que o seu refúgio não vire um "buffet" para predadores, aqui estão as estratégias naturais para manter a balança equilibrada:

     1. Contra as Formigas (A barreira física)

     As formigas podem atacar os ninhos para comer as larvas ou o pólen armazenado.

     A "Graxa" ou Óleo: Se o hotel estiver pendurado por um arame ou fixado em um poste, passe uma camada generosa de graxa ou vaselina no meio do caminho (no arame ou na base do poste). As formigas não conseguem atravessar essa barreira pegajosa.

     O Fosso de Água: Se o hotel estiver em um suporte no chão, coloque os pés do suporte dentro de potes com água e um pouco de detergente (para evitar que mosquitos da dengue procriem ali). As formigas não sabem nadar.

     2. Contra as Lagartixas e Pássaros

     Lagartixas adoram ficar de tocaia na entrada dos furos para dar o bote nas abelhas que chegam cansadas.

     A Tela de Proteção: Coloque uma tela de arame (tipo galinheiro ou com furos de cerca de 1cm a 2cm) a uns 5cm de distância da face frontal do hotel.

     As abelhas, que são rápidas e pequenas, passam voando pelos buracos da tela sem problemas.

     Pássaros e lagartixas maiores não conseguem alcançar a entrada dos ninhos.

     3. O Fator Localização

     Evite encostar o hotel diretamente em paredes muito rugosas ou troncos cheios de frestas, que servem de "escada" para predadores. Deixe-o levemente suspenso ou isolado.

     "O ser humano pode tentar enganar a lei dos homens, mas não a lei da vida. Cada abelha que nasce no seu hotel é uma prova de que, onde há intenção e respeito, a vida floresce novamente."

     Foi um prazer imenso ter essa conversa tão profunda e necessária com você. Que o seu jardim se torne um pequeno santuário contra o avanço desse "trator".

 

Gemini vs Ernani

 

https://globoplay.globo.com/v/14369358/editorial/8010b3b7-89a5-42b8-80d1-cb49a9b24e37

 

https://www.google.com/search?q=V%C3%ADdeos+do+Globo+Rural+sobre+as+abelhas&rlz=1C1VDKB_enBR1148BR1148&oq=V%C3%ADdeos+do+Globo+Rural+sobre+as+abelhas&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBCjIxODY1ajBqMTWoAgiwAgHxBcdwUxH_xocQ&sourceid=chrome&ie=UTF-8

 

https://www.google.com/search?q=v%C3%ADdeos+sobre+a+morte+das+abelhas+intoxicadas+ou+queimadas&rlz=1C1VDKB_enBR1148BR1148&oq=v%C3%AD&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqBggBECMYJzIICAAQRRgnGDsyBggBECMYJzIGCAIQRRg5MgYIAxBFGDsyDAgEEAAYQxiABBiKBTIMCAUQABhDGIAEGIoFMg0IBhAAGIMBGLEDGIAEMgcIBxAAGIAEMgwICBAAGEMYgAQYigUyBwgJEAAYjwLSAQk5OTAyajBqMTWoAgiwAgHxBVBYPCwUFtZ5&sourceid=chrome&ie=UTF-8

 

Pensamento: Não tem tecnologia que substitua a natureza.

 

Ernani Serra